A BRS Carinás chegou ao mercado em 2026 com uma proposta clara: oferecer uma evolução produtiva para áreas do Cerrado onde a braquiária Basilisk, também chamada decumbens, já é conhecida. A nova cultivar produz mais forragem e folhas, suporta maior lotação e apresentou maior ganho por área nos ensaios da Embrapa.
Isso não transforma a Carinás em capim para qualquer terreno. Ela continua com baixa resistência às cigarrinhas comuns das pastagens e não resiste às do gênero Mahanarva, segundo a publicação oficial. O produtor precisa comparar ambiente e risco, não apenas produtividade.
Resposta rápida: considere a BRS Carinás para solos ácidos e de baixa a média fertilidade do Cerrado, inclusive para diversificar áreas de Basilisk e sistemas de integração. Faça análise do solo e compre semente certificada. Não plante em área com histórico severo de cigarrinhas esperando resistência: essa é uma limitação declarada da cultivar.
O que é a BRS Carinás
A Carinás é um híbrido de Brachiaria decumbens, também classificada como Urochloa decumbens, desenvolvido pela Embrapa e Unipasto. É tetraploide e apomítica, o que permite multiplicação por sementes mantendo as características da cultivar.
Em comparação com a Basilisk, a Embrapa relata:
- maior produção de forragem;
- maior produção de folhas;
- maior taxa de lotação;
- maior ganho de peso vivo por hectare;
- plantas mais altas;
- folhas mais longas e largas;
- boa cobertura do solo;
- maior competição com invasoras;
- alta tolerância ao período seco.
Ela foi recomendada para o bioma Cerrado e pode ser usada em integração lavoura-pecuária, produzindo forragem e palhada.
Carinás ou Basilisk: o que muda na prática
A Basilisk ocupa áreas extensas porque se adapta a solos ácidos e de menor fertilidade. A Carinás preserva essa vocação e responde melhor em produção. Porém, produtividade adicional exige ajustar lotação e adubação. Se o produtor mantém o mesmo número de animais sem medir, pode colher apenas pasto passado.
| Característica | BRS Carinás | Basilisk |
|---|---|---|
| Origem | híbrido melhorado | cultivar tradicional |
| Produção de folhas | maior nos ensaios oficiais | referência de comparação |
| Tolerância à seca | alta | conhecida |
| Solos ácidos | adaptada | adaptada |
| Resposta ao fósforo | positiva | depende do manejo |
| Cigarrinha comum | baixa resistência | baixa resistência |
| Uso em ILP | recomendado | amplamente utilizado |
Não compare apenas altura. A Carinás é morfologicamente mais alta, mas manejo deve usar interceptação de luz, estrutura do dossel e recomendações técnicas, não copiar a régua da Basilisk.
Onde a BRS Carinás tem melhor encaixe
A cultivar foi selecionada para solos ácidos e de baixa a média fertilidade do Cerrado. Tolera baixos teores de fósforo, mas responde à adubação fosfatada. Tolerar não significa produzir no máximo sem correção.
Pode encaixar em:
- cria e recria a pasto;
- reforma de áreas de decumbens;
- diversificação de pastagens;
- integração lavoura-pecuária;
- talhões para vedação no fim das águas;
- áreas em que cobertura rápida do solo é desejada.
Evite recomendar sem validação em região fora da indicação, solo encharcado ou área com pressão severa de cigarrinha. A Embrapa observou maior tolerância ao alagamento que Xaraés em casa de vegetação, mas afirma que ainda são necessários ensaios de campo em solos mal drenados. Essa ressalva precisa ser respeitada.
Cigarrinha é a principal limitação
A Carinás apresenta baixa resistência a Notozulia entreriana e Deois flavopicta e não tem resistência a cigarrinhas do gênero Mahanarva. Em fazenda com histórico de surtos, a escolha pode aumentar risco.
Antes de comprar semente:
- identifique quais cigarrinhas ocorrem na região;
- revise histórico de dano por talhão;
- converse com agrônomo e assistência local;
- diversifique cultivares em vez de plantar toda a fazenda igual;
- mantenha monitoramento na transição de chuvas;
- tenha plano de manejo e recuperação.
Inseticida não deve ser o plano principal de uma cultivar inadequada ao risco. Genética, diversidade, lotação e vigor do pasto participam da prevenção.
O artigo sobre controle de cigarrinha no pasto ajuda a reconhecer os sinais e monitorar.
Como comprar semente verdadeira
Cultivar nova atrai oferta informal. Exija nota fiscal, identificação da cultivar, lote, pureza, germinação ou valor cultural e registro do fornecedor. Saco reembalado sem origem pode trazer mistura, invasoras e baixa viabilidade.
Compare preço por hectare viável:
sementes puras viáveis = peso do lote x valor cultural
Depois calcule quantos quilos de semente comercial são necessários para entregar a recomendação de sementes puras viáveis. A taxa depende do método, época e condição. Use a calculadora de sementes para pastagem e valide a dose com o agrônomo.
Guarde amostra lacrada e a etiqueta. Se houver falha de formação, esses materiais ajudam a investigar.
Análise de solo e correção
Colete amostras por área homogênea. Talhão de baixada não deve ser misturado com topo arenoso. Informe histórico de adubação e cultura anterior.
A recomendação precisa considerar:
- pH e saturação por bases;
- alumínio;
- fósforo e potássio;
- cálcio e magnésio;
- matéria orgânica;
- textura;
- profundidade efetiva;
- meta de produção.
Embora tolerante a baixos níveis de fósforo, a Carinás responde à adubação. Plantar com pouco investimento pode formar cobertura, mas não necessariamente entregar a lotação observada nos ensaios.
Conservação do solo continua obrigatória. Curvas de nível, terraços e direção de plantio devem seguir projeto. Boa cobertura não corrige erosão já instalada sem intervenção.
Implantação passo a passo
Prepare a área de acordo com plantio convencional, direto ou integração. Controle invasoras problemáticas antes da semeadura. Semeie no início da janela de chuvas estáveis, na profundidade recomendada para sementes pequenas.
Etapas:
- definir talhão e objetivo;
- analisar e corrigir o solo;
- comprar lote certificado;
- regular semeadora ou distribuidor;
- testar distribuição em área curta;
- incorporar na profundidade adequada, quando o método exigir;
- controlar formigas e pragas;
- medir emergência e falhas;
- corrigir invasoras cedo;
- só iniciar pastejo após enraizamento e formação.
Enterrar demais é uma das principais falhas com braquiárias. Passar grade pesada depois da distribuição pode colocar a semente fora da zona de emergência.
Primeiro pastejo e manejo da altura
O primeiro pastejo serve para estimular perfilhamento e uniformizar, mas apenas quando as plantas estão firmes. Puxe algumas com a mão. Se saem com raiz, ainda não estão prontas.
Como a cultivar é nova, use recomendações oficiais atualizadas e assistência. Não invente altura a partir de outro capim. Registre entrada, saída, dias de descanso, chuva e lotação.
No manejo contínuo, ajuste animais conforme crescimento. No rotacionado, não confunda descanso fixo com ponto de entrada. A velocidade muda com temperatura, fertilidade e água.
Vedação para a seca
A Embrapa destaca possibilidade de vedar no final do verão para uso estratégico. A prática acumula forragem, mas reduz qualidade conforme maturação. Planeje categoria que usará, suplemento e data de entrada.
Divida a área em partes e vede em momentos diferentes para escalonar. Retire excesso de colmo antes, conforme orientação de manejo, e garanta fertilidade e umidade para rebrota.
Calcule massa disponível, perdas e consumo. Pasto alto por fotografia não prova estoque de folhas.
Uso na integração lavoura-pecuária
Boa cobertura e palhada tornam a Carinás opção para ILP. No consórcio, dose e momento precisam equilibrar a forrageira e a cultura. Competição precoce pode reduzir grão; supressão excessiva pode falhar na formação do pasto.
Herbicidas usados na lavoura devem ser compatíveis com a forrageira e com a cultura seguinte. Consulte rótulo, receituário e agrônomo.
Após a colheita, avalie estande antes de colocar animais. Solo úmido e carga alta compactam e arrancam plantas.
Como fazer uma área de teste
Antes de reformar 100 hectares, plante um talhão de 2 a 5 hectares representativo. Compare com Basilisk sob solo e adubação semelhantes.
Meça:
- emergência e cobertura;
- produção de matéria seca;
- proporção de folhas;
- presença de cigarrinhas;
- lotação;
- ganho por animal e hectare;
- custo de implantação;
- comportamento na seca;
- recuperação após pastejo.
Sem faixa comparável, a memória favorece o capim novo. Uma balança e quadrado de amostragem dão resposta melhor.
Erros comuns
Achar que cultivar nova resiste a cigarrinha. A limitação está declarada pela Embrapa.
Plantar em solo encharcado com base em teste de casa de vegetação. Validação de campo ainda é limitada.
Comprar semente sem origem. Mistura e baixo valor cultural comprometem o talhão.
Dispensar fósforo porque o capim tolera baixa fertilidade. Tolerância não é produtividade máxima.
Copiar altura da Basilisk. A morfologia é diferente.
Reformar toda a fazenda de uma vez. Área piloto reduz risco.
Aumentar lotação antes de medir forragem. Produção precisa ser confirmada localmente.
Checklist de decisão
- Confirme se a propriedade está na região recomendada.
- Mapeie histórico de cigarrinhas.
- Analise solo por talhão.
- Compare semente pelo valor cultural.
- Faça área piloto.
- Registre adubação e emergência.
- Aguarde enraizamento antes do pastejo.
- Meça folhas, lotação e ganho.
- Planeje vedação sem esquecer qualidade.
- Diversifique a fazenda, não concentre risco.
A BRS Carinás é uma alternativa promissora para substituir ou diversificar áreas de Basilisk no Cerrado. Sua força está na produção de folhas, cobertura e desempenho por hectare. Sua fraqueza diante de cigarrinhas não pode ser escondida. Começar por um talhão medido permite aproveitar a novidade sem transformar toda a fazenda em experimento.



